edição nº 5 ano 2019
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Empatia
     
 
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Sobre origens e destinos

Eu tenho uma origem simples, minha mãe e sua família são de uma cidadezinha chamada Inhumas, no estado de Goiás. Meus avós paternos são de origem nordestina, meu pai nasceu no morro de São Bento, em Santos.


Meu pai era negro e, apesar do meu tom de pele muito claro, sou birracial. Vi e vivi com meu pai situações de racismo, fossem elas veladas ou não.


Sempre estudei e batalhei muito. Depois de algum tempo, tive a “sorte” de poder ampliar meus horizontes muito além da imaginação dos meus pais, e da minha. Estou em um lugar de conforto financeiro e já pude ver mais do mundo do que muitos dos meus antepassados puderam ao longo de uma vida inteira. 


Não conquistei nada sozinha, ao contrário, foi com a ajuda de pessoas que queriam o meu bem que eu consegui conquistar meu espaço profissional e crescer como pessoa.


Mas nunca me esqueci de onde vim.


Reconheço o valor desses relacionamentos para a minha vida até aqui, mas atualmente tenho refletido muito sobre meu destino. Para onde vou e com quem vou.


Mais recentemente essa reflexão sobre relacionamentos se fez presente, pois eu participava de um grupo com quem dividia temas relacionados com política. O objetivo era apoiar um partido político e fomentar a atuação das mulheres. Mas percebi que algumas das discussões não geravam valor, longe disso. Despertaram em mim sentimentos que apertaram meu coração. Houve casos de comentários machistas, de intolerância religiosa e até preconceituosos.


Sei que o grupo não se resume a isso e pude conhecer um pouquinho de algumas mulheres com uma energia incrível para fazer o bem e construir uma sociedade melhor. Mas, refletindo sobre meu destino, sobre aonde quero chegar, fico me perguntando se é com essas pessoas que quero estar. 


Faz sentido continuar em um relacionamento quando a subjetividade domina? Quando a troca deixa de ser algo bacana? Não que eu saiba tudo ou acredite que estou sempre certa, mas eu genuinamente ouço o outro, reflito sobre a minha posição versus o que outra pessoa me apresenta de diferente. Aprendo, mudo, e crescemos juntos. Mas, quando o outro está fechado, faz sentido discutir, insistir, investir tempo e energia? Penso que não.


Reconheço aqui, humildemente, a minha limitação em lidar com esse tipo de diferença. Mas a verdade é que no final do dia isso me faz mal. E por isso decidi sair do grupo. 


É uma atitude que parece óbvia, simples, mas não é. Sentimentos mundanos de querer fazer parte de algo, se fazer presente, saber o que os outros falam, me trazem receio de “ficar de fora”. Mas a verdade é que nada que nos faça mal, que deturpe as nossas intenções, merece a nossa energia, nem mesmo ler mensagens. E acho que isso seria válido para vários outros aspectos e relações de nossas vidas.


Reconhecer uma situação que não conseguiremos mudar, respeitar as visões (e, em alguns casos, as limitações) alheias, saber a hora de sair, saber que informação pobre e energia ruim não valem ser compartilhadas só pela curiosidade ou pelo social. 


Reveja os seus grupos. Fique onde quer estar e com quem quer dividir o caminho.


Com carinho,

 
 
Rafaela Favorito

É formada em administração e tem longa vivência profissional na área financeira. Ingressou no Solaris em 2010 buscando entender mais sobre si e sobre o mundo fora das planilhas de Excel. Com a ajuda da Sofia e de toda a egregora Solaris, encara com entusiasmo e curiosidade o potencial de autodesenvolvimento que o universo nos oferece todos os dias.

 
 
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