edição nº 5 ano 2019
outros títulos do autor
Ritual do Indivíduo
Despedidas
     
 
veja também
Aipo/Salsão
Máxima solariana nº14
Neurogênese e neuroplasticidade
Desconstruir para reconstruir

Este é um tipo de depoimento com conteúdo de uma vivência esotérica — sou solariana há pelo menos 20 anos e há outros tantos também estudiosa da Astrologia Humanista  — e, em última instância, é uma análise sobre a reforma total de uma casa; o que acredito que alguns de vocês já vivenciaram ao vivo e a cores. 

 

Foi minha a decisão de recuperar a casa de meus pais que havia passado por um alagamento (gerado por um encanamento de uma caixa-d’água que se rompeu). Sei que muito disso teve a ver também com a história construída pela minha família dentro dela, além do patrimônio que estava se deteriorando pela pouca manutenção que meus pais puderam fazer nos últimos anos devido a problemas de saúde que ambos apresentaram.

 

Ao entrar na casa (me mudei para lá em setembro de 2017), passei a vivenciar a primeira fase deste processo  — o desapego, que parece óbvio, mas não é. Havia muito mobiliário... as roupas do meu pai, que já havia falecido, e nas quais ainda não tínhamos mexido... a “oficina dele” que estava  montada (ele adorava fazer coisas... chamávamos ele de “prof. Pardal”... igual ao das histórias em quadrinhos)... itens de cozinha... fotografias... livros, muitos livros (minha mãe era advogada e tinha uma biblioteca jurídica de dar inveja)... e muitos documentos... aff, quanta coisa!! 

 

Não achei que seria capaz de assumir esta empreitada, pois estava trabalhando e só podia me dedicar a isso nos finais de semana em que estava em São Paulo. Só para situar: após o falecimento de meu pai, minha mãe ficou muito doente em Araraquara  e não se recuperou mais, infelizmente. Apesar da distância, o caminho de ida e de volta acabou também se transformando numa terapia reflexiva, com momentos de choro ou de cantar o mais alto possível  — com os vidros do carro fechado, é claro! — para desabafar e espantar a sensação de carregar o mundo nas costas. 

 

Durante um ano fui desmontando e doando para quem quisesse as coisas que ainda pudessem ser aproveitadas... Uma pequena parte disso ficou com meus irmãos pela “memória implícita” que havia, porém a maior parte do conteúdo da casa foi aproveitado por outras pessoas através das doações que fiz (meus irmãos sempre cientes e concordando com tudo) ... Qual o sentido esotérico desta fase? Ciclos se encerram, mas outras pessoas podem fazer uso daquilo que não te serve mais e colocar uma nova energia neste mesmo conteúdo, apesar de aparentemente desgastado para você. Mais valioso do que a doação de tudo isso foi o retorno dos que receberam estes materiais e disseram o quanto tudo “aquilo” foi bom para eles darem um salto na vida, uma sensação impagável.

 

Segunda fase — percebendo a casa na desconstrução (morando nela... que sufoco!!). Esta foi a parte principal e que exigiu de mim paciência, autocontrole, observação e avaliação constante do que estava sendo feito tanto pelo empreiteiro quanto pela “resposta” que a casa me dava. A cada ambiente que foi mexido e deixado só na estrutura básica (tijolo ou concreto) fui percebendo a “reação energética” da casa: às vezes era como se ela chorasse, às vezes como se sentisse dor... Pode parecer loucura, mas de fato aconteceu, pois me afetou, embora eu não quisesse. Uma pessoa próxima de mim perguntou o que estava acontecendo, pois andava “meio estranha”... Contei  sobre a obra, e ele (como bom esotérico que é) me disse que toda casa “guarda” as energias e emoções que foram vivenciadas nela, e também me questionou se eu tinha animal de estimação, pois ele seria o primeiro a ser afetado com a obra que eu estava fazendo, podendo inclusive vir a falecer; enfim, eu disse que além de mim os únicos seres vivos em casa eram as plantas... e que eu já esperava que elas fossem morrer, pelos produtos químicos presentes na reforma... Até então, eu não havia feito qualquer análise nesse sentido, simplesmente achei que era tudo estresse de obra.

 

Última fase — alcançando o resultado. A casa foi totalmente renovada e ganhou um novo visual, pareceu “aceitar” o que aconteceu e trouxe uma sensação de leveza aos ambientes à medida que estes eram concluídos. Eu, particularmente, fui me sentindo vitoriosa não só em relação ao projeto todo, que ficou muito bonito (meus irmãos, o empreiteiro, os entregadores de material para obra, todos aprovavam à medida que a casa ficava pronta), bem como por ter acreditado que eu seria capaz de viver em uma obra, no meio de muita poeira, marretadas, cheiros de produtos químicos... e sendo a única mulher em meio a todos os pedreiros que trabalharam lá durante todo o período  — 4 meses no total. Muito da obra, na prática, foi utilizado para me reconstruir, pois tomei a decisão de mudar radicalmente de vida, deixando o mundo empresarial para me dedicar ao conhecimento evolutivo e ajudar as pessoas da mesma forma que fui ajudada. Ter conhecimento esotérico proporcionado pelas escolas filosóficas (Solaris e Astrologia) foi o ponto crucial para alcançar o resultado. 


 
Flávia Moreira

Ingressou no Instituto Solaris em 1996 para buscar o autoconhecimento, o que a levou a se tornar sacerdotisa da ONG Solaris, com o intuito de auxiliar as pessoas que estão na busca do aperfeiçoamento pessoal e de propagar o aprendizado adquirido.

 
 
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