edição nº 6 ano 2019
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Máximas solarianas: o que vêm a ser?

 

Imagino que todos os solarianos tenham conhecimento das Máximas criadas pela nossa mestra Sofia Mountian. São pequenas pérolas que sintetizam complexas situações do cotidiano. Elas ajudam a ter percepção da realidade objetiva, o que constitui um dos ensinamentos constantes da mestra em seus cursos. Ao obter uma clara percepção da realidade objetiva, podemos, além de evitar a subjetividade que tanto atrapalha, escolher participar da realidade de modo mais visível, bem-sucedido e transformador. 


Esta seção da Revista da ONG Solaris se dedicará à interpretação das máximas criadas pela Sofia, por meio da descrição de situações vivenciadas por mim, por outros solarianos ou por pessoas em geral. 

 

Serão descritas e ilustradas 22 das Máximas Solarianas, as que são apresentadas periodicamente durante a Meditação dos Regalos. 

 

Embora cada máxima tenha um número, iniciando-se da Máxima nº 1, a ordem de publicação delas na revista será aleatória.

 

 

MÁXIMA 14

“A percepção da realidade objetiva sempre é possível dentro do local físico que tem razão de existir (ideia dominante) e é resultado da observação de 3 componentes: atividades desenvolvidas no local, a emoção que surge em função disso e a comunicação entre os participantes.”


É muito comum nos percebermos em um local realizando uma atividade que não deveria ser realizada nele, pensando em algo completamente diferente e com a emoção totalmente desligada, tanto do local em questão quanto da ação e das palavras. Foi isso que me aconteceu na situação que vou relatar!

 

Há uns quatro anos, num final de inverno aqui no Canadá, tudo ainda estava bem branquinho e lindo! Mas muito deslizante! A atenção tem que ser redobrada quando a gente caminha pelas ruas e calçadas nessa época para não escorregar e cair pesadamente. Certo dia, eu saí de casa e estava me dirigindo ao ponto de ônibus. Fazia muito frio e resolvi pôr minhas luvas. Então, enquanto caminhava, tirei as luvas do bolso do casaco e, segurando uma delas, enfiei a outra. Quando fui pôr a luva da segunda mão, o que é mais difícil porque a outra mão já está enluvada, eu me percebi num diálogo intenso comigo mesma: “Bom... agora vou chegar ao meu destino, vou ter minha consulta médica... Puxa! Será que eu vou perder o ônibus? Vou atrasar muito se perdê-lo!”. Não deu outra! Não percebi na calçada um trechinho congelado e muito, muito deslizante. Ou seja, usando a linguagem solariana, eu não percebi a realidade objetiva! O resultado era previsível: escorreguei lindamente e o tombo foi tão rápido que nem tive tempo de raciocinar! Não me machuquei porque, além de ser fofinha por natureza, o casaco forrado de penas é um bom amortecedor! O difícil foi levantar sozinha sem ter muito apoio...

 

Essa situação me ensinou, espero que para sempre, a caminhar no inverno canadense, já totalmente vestida, sem nada para fazer além de prestar atenção aos meus passos. Meus leitores podem se espantar, pensando que eu aprendi a ficar atenta a todas as situações diárias... Não é o caso... Trata-se de uma difícil aprendizagem! Muitas vezes percebo, por exemplo, que vou à cozinha para tomar um comprimido e, lá chegando, já não lembro o que fui fazer e, se me lembro, não tenho certeza se tomei o comprimido ou não! No entanto, devo dizer que, em relação a caminhar no inverno do Canadá, deu certo: eu nunca mais caí! Devo ter aprendido alguma coisa!

 

É importante dizer que a dissociação entre o local em que estamos, e que tem uma razão para existir, as ações que praticamos nesse local, a comunicação (conosco ou com outros) e as emoções que sentimos é o que nos faz não perceber a realidade objetiva! É para esse aspecto que a máxima chama a atenção. Na situação que descrevi, eu estava andando numa calçada com neve e gelo (local cuja razão de existir é possibilitar o deslocamento das pessoas), vestindo um par de luvas (ação que não deveria ser praticada nesse local...), pensando na consulta médica que iria acontecer (minha fala interna) e sentindo preocupação com o horário do ônibus (emoção). 

 

Como obter uma consistência entre esses componentes? Como fazer para obter uma leitura da realidade objetiva em todos os momentos do dia? A resposta que me vem é o que nossa mestra Sofia nos relembra todos os dias! Precisamos praticar o STOP. Essa prática nos torna conscientes da razão de existir de determinado local em que nos encontramos e, ao mesmo tempo, nos permite verificar o que estamos fazendo e falando ou pensando e nos indica emoções que nossas ações provocam. Podemos alinhar imediatamente todos esses componentes nos fazendo quatro perguntas básicas: Onde estou? O que estou fazendo? O que estou falando, pensando? O que estou sentindo? Se esses componentes estiverem dissociados, nós estaremos subjetivos. O poder do STOP é que as perguntas nos reposicionam imediatamente. Olhamos para a realidade de modo objetivo e assumimos a postura de “donos” de nossas ações! Como é importante praticá-lo! O dia todo! Umas 20 vezes por dia!

 

 

Célia Maria Vasques Miraldo

É psicóloga formada pela PUC e mestre em Psicologia Experimental pela USP. Trabalhou toda a vida profissional em Educação, durante 13 anos como professora na PUC e, nos últimos 16, no SENAI/SP, na área de Avaliação Educacional. Continuou trabalhando, depois de aposentada, como consultora do SENAI Nacional, nessa mesma área. É sacerdotisa do Instituto Solaris, onde ingressou em 1993, tendo participado da elaboração do curso “Eu sou”, destinado a adolescentes.

 
 
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