edição nº 10 ano 2019
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Vivemos uma época difícil, cheia de turbulências. As sociedades parecem estar num movimento sem rumo, gerando perdas imensas às populações mais carentes, sem recursos. Até o clima parece enlouquecido e é possível observar todas as estações num só dia. E tudo corre numa velocidade incrível: parece que o ano começou ontem e já estamos em final de setembro, faltando apenas três meses para este terminar e dar início a um novo.

 

E como ficamos nós, seres humanos? Estamos atordoados vendo barbaridades (desde agressões à natureza  até às próprias pessoas), vivendo um clima de guerra, precisando nos adaptar rapidamente às mudanças para podermos sobreviver. Os jovens estão ficando doentes mais cedo, estressados ao buscar seu lugar no mundo, e os mais velhos, não raro com poucos recursos, dependem de políticas sociais cada vez mais escassas. Enfim, por vezes nos sentimos perdidos, sem saber o que fazer. Como viver nestas condições e conseguir enxergar elementos positivos na realidade?  


O ser humano está baseado em 3 pilares: o Saber, o Fazer, o Ser. É comum desenvolvermos o Saber e o Fazer. Aprendemos e fazemos muitas coisas, mas Ser é mais difícil. Precisamos justamente trabalhar e desenvolver o Ser, ou seja, ter acesso à nossa vitalidade e à sua manutenção. Isso significa aprimorar a  Espiritualidade, para que nossas vidas ganhem um sentido definitivo. E o que significa  Espiritualidade?


Espiritualidade implica trabalhar para que se desenvolvam 3 qualidades: a confiança, a tolerância e a serenidade.


Mas confiar em quem? Nos governos, em algumas instituições, na empresa onde trabalhamos? Não! É confiar em você próprio, no elemento Divino que existe em cada um de nós. Confiar na nossa força espiritual, na nossa capacidade de nos comunicarmos e de nos relacionarmos com essa força. Confiar na nossa ligação com o Alto, com o nosso Pai, representado no nosso corpo pelo 3º olho (o ponto fica entre as sobrancelhas, no fundo) e responsável por trazer o inédito. É lembrar que nossa mente tem função nobre, que é a de estabelecer contato com a Mente Universal, de onde surgem ideias inéditas e inovadoras que podem ser implementadas no dia a dia.

 

É confiar na Mãe Terra, que lida com o cotidiano. Se você está entusiasmado com a vida e não se sente cansado com as coisas corriqueiras, é sinal de que há confiança. No nosso corpo há um ponto chamado Hara que fica três dedos abaixo do umbigo e dentro da nossa barriga. O Hara tem funções que ultrapassam a capacidade de manter o equilíbrio físico: ele deixa a nossa cabeça leve e vazia. Nos ajuda a ver objetivamente a realidade onde estamos inseridos e a agir dentro dessa realidade. Ter contato com o Hara é uma questão de sobrevivência no mundo caótico em que vivemos. 


Devemos deixar no Hara tudo o que não podemos resolver agora, jogar os pensamentos mais densos do cotidiano nele, tornando a cabeça livre deles. Confiar e concentrar-se no Hara é fundamental e deve ser uma prática diária. Para tanto, vamos direcionar o peso para as pernas e silenciar a cabeça, com a sensação de uma brisa soprando nela. A confiança, ajudada pelo Hera, nos traz muita energia e alegria de viver.


A tolerância também é uma necessidade para vivermos no mundo de hoje. Ser tolerante significa ter percepção das situações nas quais nos encontramos. Existem diferenças de pensamentos e de comportamentos e, para convivermos com essas diferenças, é fundamental a prática da tolerância. Cada um de nós teve uma experiência que levou à determinada opção de vida. Precisamos aprender a respeitar as opções e vivências alheias e a ser respeitado  por nossas crenças, para o bem viver de todos. Não julgar ninguém, não emitir opiniões (salvo se perguntado), dar somente informações, evitando conflitos. É importante mandar bons fluidos para as pessoas, se resguardar, pedir ajuda aos Mestres, cobrir-se com o manto azul. Precisamos combater a intolerância em todos os níveis. Não devemos ser intolerantes com o passado, ou seja, carregar sentimento de mágoa ou ressentimento de algo que já aconteceu e que não pode mais ser mudado. Esses sentimentos podem se transformar em pensamentos negativos que trazem muito sofrimento e impedem nosso crescimento. A intolerância ao futuro também existe. Significa que ainda não aconteceu nada, mas mentalmente você acha que já aconteceu, o que leva à ilusão, a sonhar com algo que ainda não teve realidade, isto é, leva à inação. Enfim, tolerância é aceitação da situação em que vivemos, é agir em prol da realidade desejada.


A serenidade é a arte de participar do cotidiano sem levá-lo com extrema seriedade e sem estressar o corpo. Vale lembrar que a serenidade é o estado natural do ser humano, ou seja, a tensão é antinatural. Quando surge uma ameaça externa, você se tensiona mas depois relaxa, voltando para o estado de serenidade. Seu corpo precisa do relaxamento. A serenidade depende muito de nosso contato com o corpo, da compreensão que temos dele e da comunicação que estabelecemos com  ele. A lembrança do Hara também é o caminho para se ter serenidade. É importante fortalecer as mãos e os pés, dando para ambos um trabalho mais pesado. As mãos e os pés servem para enfrentar as tensões e têm poder e força de ataque. Enfim, serenidade é ausência do estresse no cotidiano.


Desenvolver a espiritualidade, trabalhar a confiança, a tolerância e a serenidade, é um grande recurso. A espiritualidade vem da entrega emocional e dá energia para nosso crescimento. Graças a ela podemos sobreviver no mundo de hoje, sem que o cansaço e o desânimo nos abatam, impedindo nosso aumento de consciência.


 
Emília Lopes

Socióloga formada pela USP, trabalhou na CESP-Cia. Energética de S.Paulo na Diretoria de Distribuição de Energia, fazendo pesquisas de Mercado e buscando novas fontes de energia. Frequenta o Solaris há mais de 20 anos, sendo Sacerdotisa e parte do grupo de Meditação da Luz.

 
 
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