edição nº 12 ano 2019
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“A felicidade é fácil de alcançar. Basta concluir o que está fazendo e chegar ao produto final meterial.” Esta máxima solariana me acompanhou em momentos de minha vida, mesmo antes de conhecê-la. 


Sempre gostei de patchwork e de cerâmica, mas, enquanto trabalhava, nunca tive tempo nem oportunidade para me dedicar a essas atividades. Quanto à cerâmica, eu tinha uma lembrança muito terna de um professor que me marcou bastante. Eu era, então, solteira. Sempre ansiosa, queria fazer as minhas atividades com rapidez, acabando depressa o que tinha começado. Assim, iniciei um vaso num torno, o que todos os alunos deviam fazer. Eu, com pressa em terminar, fiz uma peça rechonchuda e baixinha, diferente dos meus colegas, que fizeram vasos finos, apurados e bonitos. Eu acho que amassei muito rápido a argila e, quando fui levantar o vaso, devo ter colocado muita força, fazendo aquele estrago. O resultado foi um objeto deselegante e feio. Sem dúvida, fiquei arrasada e envergonhada com o meu vaso que destoava dos outros. O professor olhou para o meu miserável vaso, deu um jeitinho ali, um puxãozinho acolá, e o resultado foi um vaso magnífico, diferente e charmoso, como nunca mais consegui fazer. E o melhor, aprendi com o professor que eu não deveria ter pressa, que deveria ficar plena no que estava fazendo e que a maior alegria é ver seu próprio trabalho finalizado, no tempo devido...  Esse foi o aprendizado que tive e, quando comecei a fazer cerâmica, sempre me lembrava desse professor: meu maior deleite era concluir o trabalho, ver as cores, etc. 


Com patchwork ocorreu quase o mesmo. Eu nunca ficava contente em fazer apenas uma peça; queria fazer várias quando gostava: uma para uma netinha, uma para outra netinha, outra para minha nora, outra para minha amiga, etc. Então eu acabava pegando muitos panos, que levava para casa, imaginando que um dia terminaria. E assim foi se acumulando um monte de pecinhas para terminar e que eu nunca terminava. Um dia, peguei todas as peças começadas e decidi pôr um fim nelas. Algumas dei às outras alunas, algumas resolvi terminar. Levei seis aulas, mas finalmente acabei. E foi um alívio, uma alegria, uma felicidade imensa ter meus produtos finalizados, acabados. Na época, eu não conhecia essa máxima, mas ela é verdadeira: é fundamental terminar o que começou.  Quando se tem um retorno, seja em forma de elogio ou em forma de dinheiro, tanto melhor. Mas nada se compara à felicidade de ver seu trabalho pronto, concretizado. Para mim, restaram os parabéns de todos os colegas que achavam que eu nunca terminaria minhas peças...


Emília Lopes

Socióloga formada pela USP, trabalhou na CESP-Cia. Energética de S.Paulo na Diretoria de Distribuição de Energia, fazendo pesquisas de Mercado e buscando novas fontes de energia. Frequenta o Solaris há mais de 20 anos, sendo Sacerdotisa e parte do grupo de Meditação da Luz.

 
 
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