edição nº 12 ano 2019
outros títulos do autor
     
 
veja também
Frutas vermelhas
Felicidade ao alcance de todos
Revendo o ano
O café, como tudo começou

Há amantes de café em todo canto do mundo. No Brasil, 83% dos brasileiros são consumidores diários dessa revigorante infusão.

 

As lendas de sua origem são muitas. Uma delas, bem graciosa, narra que, há mais de mil anos, em Abissínia, região etíope, um monge observava um pastor que alimentava seu rebanho de cabras quando notou que elas estavam bem agitadas. Ao se aproximar do pastor, o monge pousou seus olhos sobre as mãos dele e notou pequenos frutos vermelhos. Ao indagar sobre tais frutos, foi lhe informado que esses eram um elixir para o seu rebanho, que passou a percorrer as longas distâncias sem ficar cansado, sentido um efeito excitante. Segundo a lenda, esses frutos foram levados ao monastério onde vivia o tal monge, que os preparou e os distribuiu a todos. Em pouco tempo, a notícia correu a região e criou uma grande demanda.

Essa é apenas uma das muitas lendas sobre esta bebida energética e fascinante, o café.


Registros históricos comprovam que o café surgiu na Etiópia por volta do ano 575 e, posteriormente, foi levado ao Oriente Médio pelos árabes, que torravam e ferviam os grãos. A bebida passou por diversas partes do mundo: Meca, em 1450, e Europa, em 1615, onde o rei da França, Luís XIV, ordenou que plantassem mudas de café na Ilha de Martinica, no Caribe. Dessa forma, o café chegou às Américas.  


Na França, romances, conspirações e mesmo a Revolução Francesa foram planejados em suas cafeterias, sempre ao sabor da energética bebida. Tão forte era a apreciação da bebida na França que foi Louis Bernard Rabaud quem criou o princípio da extração do espresso, embora tenham sido os italianos que desenvolveram a técnica e criaram as máquinas - primeiro a vapor e, posteriormente, de ar comprimido.

Hoje, na Praça São Marcos, em Veneza, ainda de portas abertas, encontra-se a Cafeteria Florian, que iniciou suas atividades em 1720.

Em 1570, o café fincou em solo veneziano. Tida como uma ameaça aos cristãos pelas origens árabes e de fé mulçumana, a infusão de grãos torrados foi sorvida pelo Papa Clemente VIII, que, entre o proibir e o não proibir, considerou-a revigorante e saborosa. Dessa forma, a bebida transformou-se em um hábito e novos pontos de cafeterias fervilharam em toda Europa.


O amor dos italianos pelo café foi o grande responsável por dezenas de variações, sendo que as mais famosas foram o espresso e o cappuccino.

O cappuccino foi criado depois da batalha de Viena, em 1683, pelo monge italiano Marco D´Viano. No início, a bebida levava apenas café, leite e mel, ganhando esse nome justamente porque sua cor era semelhante às vestes religiosas da ordem dos capuchinhos. Já o espresso, muito mais moderno e com grande peso na cultura mundial, começou a ser desenvolvido por Luigi Bezerra, em Milão, no ano 1901, graças à construção de uma máquina rudimentar que funcionava a vapor. O espresso italiano perfeito, por sua vez, só foi desenvolvido e passou a ser difundido por Achille Gaggia, em 1946, através da máquina gaggia crema caffè, modelo patenteado e responsável pela "espuma perfeita", produzida por água pressurizada.


No Brasil, o termo italiano espresso passou também a ser escrito com "x", ganhando, assim, mais alguns sentidos, que remetem à rapidez, agilidade, a algo sem delongas. 


O café chegou ao nosso país no século XIX e hoje somos um dos maiores produtores e importadores de café do mundo. As maiores regiões produtoras são: Minas Gerais em primeiro lugar, São Paulo, Bahia e Espírito Santo.


Variações não faltam e entre as mais populares temos: Cappuccino, Cappuccino Chocolate, Espresso, Espresso Macchiato, Espresso Pana, Affogato, Mocha, Caffè Latte, Carioca, Espresso Romano, e o velho Café Irlandês para quem gosta de um bom uísque. Não  importa para qual ocasião, de norte a sul do Brasil, há sempre alguém inventando um jeito novo de beber café, mas o que interessa mesmo é que o café virou uma paixão nacional.

 

Fontes:

BRESSANI, Edgar. Guia do Barista: da origem do ao espresso perfeito. São Paulo: Café Editora, 2018.

ANDREOTTI, Carlos (org.). Chefs: Café. Fotos de Mauro Holanda. 2ª edição. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2014

 

Silvana Carla Bergamini Pedretti

Silvana Carla Bergamini Pedretti, formada em direito, é empresária e solariana desde 2010. 

 
 
Imprimir