edição nº 10 ano 2021
outros títulos do autor
Prazer em vê-lo, Português
Momentos
“Vem que tem”
Passeio com a Avó
Verão
Diário de um caos
"Uma imagem"
     
 
veja também
Inhame e seus benefícios
A arte de agradecer
"Uma imagem"
Divino versus humano
Mary Shelley

‘I busied myself to think of a story...One which would speak to the mysterious fears of our nature, and awaken thrilling horror—one to make the reader dread to look round, to curdle the blood, and quicken the beatings of the heart.’

 

Mary Shelley foi a autora do Frankenstein, um livro que adorei na faculdade. Shelley escrevia de uma forma extremamente envolvente, tinha escrita no sangue, a mãe e o pai foram escritores famosos. A mãe eu li na faculdade, a escritora feminista Mary Wollstonecraft, uma maravilha. O pai eu nunca li. Quando a Shelley disse que queria deixar o leitor com “medo de olhar para os lados”, ela acertou na mosca. Eu li o livro num inverno em Nova Iorque, apavorada de olhar pela janela, a noite sombria, com árvores desgalhadas, neve… era o lugar perfeito para aparecer um Frankenstein! 


A estória por trás do livro é incrível. Shelley e amigos, entre eles, Percy, seu futuro marido, e Lord Byron, o poeta, passavam o verão de 1816 na Suíça. Como chovia muito e fazia frio, eles se trancafiaram em casa e, para passar o tempo, bateram uma aposta: quem escreveria a melhor estória de terror. Assim nasceu Frankenstein, que sem dúvida foi o vencedor.


Eu e a Shelley temos coisas em comum. Nascemos no mesmo dia. Minha mãe também era “liberada”, meu pai também era escritor e eu com 18 anos, a idade que ela tinha quando escreveu Frankenstein, também comecei uma grande aventura: me mudei pra terra onde ela nasceu, Inglaterra.


Na Prática de Autoanálise do Solaris, um curso que estou adorando, aprendi que tenho o “dever” de passear. Eu sempre adorei passear, agora então… pode ter certeza que vou estar por aí, passeando. Num passeio recente, eu dirigia, vi o nome de uma cidade que me atraiu, MoorPark. Já era quase noite, eu estava a uns 50 quilômetros de Los Angeles. Moor é um lugar associado a suspense, filmes de terror, normalmente uma área isolada, com vento, névoa, fui lá. Moorpark era uma simpatia, com sua rua principal, cheia de bancos para sentar. Anoiteceu. Uma coruja ou um pássaro da noite começou a cantar. Eu deparei com um casarão abandonado. Estava escuro. Lembrei da Shelley. Imaginei ela escrevendo Frankenstein num casarão como aquele, isolada no campo, à luz de velas, no começo do século XIX. Me deu uma vontade enorme de entrar no casarão mas não entrei. Lembrei de quando me trancafiei num quarto de hotel por três dias. Fiz uma aposta comigo mesma: escrever 120 páginas. Ao contrário de Shelley, eu estava na cidade mais iluminada do planeta, Las Vegas. Com muita dificuldade ganhei a aposta. E assim nasceu o meu  It’s with H, Sir (clique aqui>>), que eu tenho a cara de pau de colocar ao lado do nome desta gigante da literatura, Mary Shelley.

 

Daniela Pompeu

Daniela Pompeu, brasileira-americana, neta, filha, sobrinha e irmã de jornalistas, mora em Los Angeles, Califórnia. Graduada em Inglês pelo Hunter College, Nova Iorque, com especializacão em Literatura Medieval. Formada em Acting pelo Catherine Gaffigan Studio of Acting, Nova Iorque. Escreve um blog semanal, autora do livro Tea with Dani, que publicou em 2019.

 
 
Imprimir