edição nº 10 ano 2021
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Teoria da Abrangência

Fundado em 1986, o Instituto Solaris faz 25 anos. Para comemorar essa data, vamos trazer algumas entrevistas na série "Conversa com Sofia" e reportagens especiais ao longo do ano de 2011. Para começar, mostraremos trechos da entrevista com Sofia Mountian cedida à Revista Solaris em maio de 2007 (Editora Instituto Solaris) em ocasião do 20o aniversário da escola. Nesta conversa, Sofia fala da Teoria da Abrangência e dos seus três livros lançados.

Por Osvaldo Higa, solariano, escritor e jornalista.


Osvaldo Higa: Explique, de forma clara e sucinta, o que é a Teoria da Abrangência?
Sofia Mountian: É a teoria que permite conhecer a Realidade Objetiva e suas dimensões. A Realidade Objetiva é aquela que existe fora de nós, onde estamos inseridos como personagens participantes, na companhia de todos os outros. Ou seja, a Realidade Objetiva permite a atuação dentro de determinado local.

OH: A atuação dentro da Realidade Objetiva ocorre sempre de forma consciente?
SM: Isso é relativo. Naturalmente, temos consciência de nós mesmos. Agora, nem sempre damos prioridade aos diversos fatores da Realidade Objetiva. Então, tudo depende de como atuamos dentro dela. Daí a importância da Matriz [Multidimensional], que nos mostra onde podemos atuar. Se a Matriz envolve o local, nos deparamos com os espaços nos quais o indivíduo, como um ser vivo, pode existir. Os espaços são chamados de Virtual, Operacional e do Cliente. No Espaço Virtual, atuo sozinho, mas algo sempre resultará dessa atuação. No Espaço Operacional, várias pessoas estão envolvidas em torno de um objeto, algo material que representará esse local externamente. No Espaço do Cliente, já estamos no exterior e munidos do produto desse local com o objetivo de obter algum retorno. A Matriz é capaz de demonstrar o comportamento, tanto fora como dentro do local onde a pessoa está inserida. Nós não estamos acostumados a lidar com a Realidade Objetiva, mas a nos referir ao “eu” como o centro de tudo, sendo que, na Realidade Objetiva, você nunca é o centro. Essa diferença é fatal, pois, quando colocamos nosso “eu” no centro da situação, agimos como “ego”, “o eu com a minha personalidade”. Dessa maneira, você nunca é objetivo, e suas colocações são inverídicas, já que parciais. A Matriz permite que você se enxergue na Realidade Objetiva. Portanto, quando afirmamos que temos consciência, isso quer dizer que enxergamos de fora e sabemos refletir corretamente por dentro. Mas se você não se enxerga como parte da Realidade Objetiva, tem devaneios. Você tem sua personalidade, e ela é muito importante porque é só sua. Mas ninguém se importa com isso, uma vez que a Realidade Objetiva a envolve: você é apenas uma de suas partes.

OH: Em que bases você se fundamentou para elaborar a Teoria da Abrangência?
SM: As bases seriam a Física Quântica, os estudos de Ouspensky1, de Gurdjieff2 e dos temas esotéricos, como a Cabala. Gurdjieff falou muito em “lembrança de si” para conseguir se ver dentro da Realidade Objetiva. Ele, porém, não dá pistas de como chegar a essa “lembrança de si”. Com a Matriz, podemos enxergar esse caminho e observar os princípios vitais, que são representados pelas três redes (manutenção, inovação e transformação). Esses princípios vitais, por sua vez, são manuseados pelo gestor pessoal, que responde pela sua existência dentro da Realidade Objetiva. E aqui ocorrem muitos conflitos, pois, agindo como “personalidade”, nunca chegaremos ao gestor. Para chegar ao gestor pessoal, é preciso entender-se como alguém que faz parte da Realidade Objetiva, que faz parte dos espaços e dos processos, mas que também pode fazer parte da função criadora deste local.

OH: O primeiro livro sobre a Teoria da Abrangência3 está voltado para as organizações. Que repercussão teve essa obra no público destinado?
SM: A repercussão foi interessante, pois esse primeiro livro foi bem conceitual, não mostrando com clareza o uso prático da teoria. A publicação foi enviada aos meios acadêmicos, particularmente às faculdades de administração, que lidam com transformação e mudança, pois o livro trata das possibilidades de enxergar um sistema como um organismo vivo, autorregulável e, portanto, passível de transformações e mudanças. A repercussão foi interessante entre pessoas que estão abertas para o novo. Hoje, as empresas já exigem que você atue como um gestor.
Infelizmente, todo o caos que ocorre dentro e em torno do planeta está no fato de a tecnologia ter atingido o mundo quântico, enquanto o ser humano atua basicamente como “observador”. Ele mantém contato com essa energia criadora, no entanto, para isso acontecer de modo consciente, há a necessidade de lidar com a 5ª dimensão, considerada criadora. Houve um despertar, um desabrochar de toda a parte criadora da humanidade, mas ainda sem a consciência de como isso vai repercutir em outros locais. É aquilo que dizia o grande alquimista Fulcanelli: “Nós somos ciência sem consciência.” Usamos as partículas elementares, o raio laser e tantas outras criações sem nos darmos conta de que, quando criamos alguma coisa, imediatamente desencadeamos vários outros fenômenos, ou seja, sem a noção do que poderá vir em virtude disso. O grande problema é não ter consciência alguma de si próprio como gestor, que é algo absolutamente objetivo, pelo menos no local de seu trabalho, isto é, o problema é não se preocupar muito com as consequências daquilo que faz. O indivíduo não consegue ser gestor o tempo inteiro porque não sabe que está usando o seu gestor pessoal no trabalho. E, ao sair do ambiente de trabalho, ao atuar nos relacionamentos com a família ou com os amigos, já não é mais gestor, pois ele volta a ser “uma personalidade” e, como tal, é sempre falho e parcial.

OH: Para fazer “ciência com consciência”, necessitamos do contato permanente com o gestor pessoal. Como fazer isso?
SM: Os cientistas desenvolveram bastante as ciências e criaram várias tecnologias e equipamentos que nos impõem a necessidade de tomar decisões. Agora, como podemos chegar até o gestor? Primeiro, devemos compreender bem nossa personalidade, observar nossos pontos fracos, nossa subjetividade etc. Em segundo lugar, é preciso ter consciência dos processos (comunicação, motivação e ação) com os quais estamos envolvidos. Mas é preciso ter consciência do processo inteiro para ser capaz de chegar a um produto único, que é fruto da integração de outros processos. À medida que tomo conta da comunicação e crio um produto intelectual, devo estar consciente de que isso é apenas um fragmento. Percebo que esse produto intelectual é essencial para mim e utilizo a motivação para convencer as pessoas de que isso é essencial. Chegando à ação, ao dar uma aparência a esse produto, permito demonstrar sua existência na Rede Material. Com essa percepção encadeada, estou conectado ao meu gestor pessoal.

OH: Esse primeiro livro foi lançado em 2002. Nesses quase seis anos, houve alguma reformulação na Teoria da Abrangência?
SM: Não houve reformulação, mas um prosseguimento. Para as empresas, desde 2004 o trabalho com a Matriz Multidimensional representou um grande impacto, que revolucionou tanto a própria teoria quanto à aceitação do público leigo. Se a leitura do primeiro livro era um pouco complicada, a Matriz Multidimensional trouxe uma visão imediata e integrada da totalidade. Quando você lida com a Matriz, é possível enxergar todas as dimensões da Realidade Objetiva ao mesmo tempo. Observando essa Matriz agora, ficamos com a impressão de que ela já existia há muito tempo, mas ela foi elaborada há apenas dois anos.

OH: Enquanto o primeiro livro se destinava à aplicação da Teoria da Abrangência no âmbito das organizações, o segundo4, lançado em 2004, teve como foco o indivíduo e seu universo existencial. Como você resumiria o conteúdo dessa segunda obra?
SM: Esse segundo livro permite conhecer bem a personalidade do ser humano e sua condição no funcionamento dos processos, além de, o que é muito interessante, fornecer uma visão do universo através de três planos.

OH: Qual o título do terceiro livro [o livro O Criador no Mundo Empresarial, as dimensões a serviço do gestor foi lançado em 2007, pela Conex e Plênita Consultoria, um pouco depois da entrevista]?
SM: “O Criador no Mundo Empresarial”.

OH: É um livro que retoma o estudo das organizações, portanto. Quais inovações ele trará?
SM: Esse livro é dedicado ao trabalho do gestor. Existe no trabalho do gestor uma dimensão que chamamos de “função criadora da gestão”. Não é uma parte que envolve conhecimento técnico, mas o potencial energético pessoal, que é algo absolutamente indispensável ao desempenho correto da função do gestor. Normalmente, quando é preciso tomar uma decisão complexa e arriscada, isso é feito sempre de maneira solitária, pois se conta apenas com a intuição. Não há nenhum instrumento objetivo que possa ajudar nessa hora. Assim, no livro, traremos algumas ferramentas objetivas com as quais é possível contar nos momentos de decisão, nos quais estejam envolvidas mudanças profissionais.

OH: Você trará informações de como um empresário pode se conectar a essa intuição, ou seja, de como desenvolver essa função criadora?
SM: O livro vai ensinar o empresário a trabalhar com seu produto. Normalmente, quando se aborda o produto de uma empresa, fala-se de maneira muito vaga, porque a percepção que você tem de seu produto não é necessariamente a mesma que o mercado tem dele. Diante disso, a primeira ferramenta tem em vista definir o produto não como algo percebido pelo empresário, mas pelo mercado. Mostramos o produto como o conjunto de três redes. Esta é uma visão muito interessante, pois, pela definição de como o produto se apresenta no mercado, você consegue criar toda uma estratégia para manter a vida desse produto. A segunda parte mostra como criar um sistema produtivo, que contempla o produto em si. Ensinamos o empresário a fazer a Matriz do seu sistema, da sua empresa.

OH: Ou a Matriz de determinado produto?
SM: Sim, cada produto deve ter o seu sistema produtivo e a sua Matriz. E a terceira parte se destina ao trabalho de gestão em recursos humanos. Ou seja, baseado nas necessidades do sistema, você reconhece que tipos de funcionários são necessários. Com a aplicação de um questionário básico para a preparação de uma Matriz, mostramos que, conhecendo a Matriz do funcionário, é possível colocá-lo no lugar certo.

OH: E o funcionário toma conhecimento da própria Matriz?
SM: O mais interessante é que a função criadora da gestão traz a democratização total dos recursos humanos, porque, quando o funcionário preenche o questionário, ele quer saber o porquê. Então, nós explicamos a Matriz a ele e a seu chefe. O ideal seria o funcionário conhecer também a Matriz do chefe. Se o funcionário conhece sua Matriz e percebe algo errado em seu desempenho, ele passa a ser o primeiro interessado em buscar um lugar mais adequado ao seu perfil dentro da empresa. Em resumo, este livro fala das três grandes funções criadoras do gestor, que contempla o produto, o sistema produtivo e os recursos humanos, integradas em três redes (inovação, transformação e conservação), que, por sua vez, aparecem retratadas em escala multidimensional na Matriz.
 

[Voltado ao indivíduo, o estudo da Matriz Multimensional e do Gestor Pessoal, assim como do Eneagrama, pode ser feito pelo curso "Caminho Evolutivo no Século XXI", oferecido pelo Instituto Solaris. Clique aqui para saber mais.]

1 Piotr Demiánovitch Ouspensky (1878-1947), matemático e místico russo, discípulo de Gurdjieff.
2 George Ivánovitch Gurdjieff (1872?-1949), teórico e místico russo.
3 Teoria da Abrangência, um conhecimento inédito de transformação e mudança nas organizações. Sofia Mountian e Toshiko Hama. São Paulo: Editora CUltrix e Amana-Key, 2002.
4 O Universo Existencial do Ser Humano segundo a Teoria da Abrangência. Sofia Mountian e Toshiko Hama. São Paulo, Ed. Instituto Solaris, 2004.



 


 

Sofia Mountian

Sofia Mountian dispensa maiores apresentações – criadora da Teoria da Abrangência, fundadora do Instituto Solaris, presidente da ONG Solaris e uma das sócias da Plênita Consultoria. Sofia, no intuito de esclarecer dúvidas sobre a Teoria da Abrangência, o crescimento do ser humano e assuntos de interesse dos solarianos, escreve mensalmente na Revista Solaris.

 
 
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