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PORTAL SOLARIS
Afinal, o que é teoria polivagal?

Alguns anos atrás, me senti atraída por um curso com o nome de “primeiros socorros emocionais”.

 

Quando observei os efeitos daquela técnica simples, que eles chamavam de pendulação e de observar meus recursos, me entusiasmei e, mesmo não sendo psicóloga, acabei me inscrevendo numa formação denominada Somatic Experiencing®, na qual o curso se baseava. 

Somatic Experiencing® é um método para lidar com trauma a partir das sensações no corpo.

 

Trauma, uma palavrinha muito na moda que nem vou tentar definir, fica para outro artigo. O que, sim, quero apresentar é o meu entendimento da teoria polivagal, que vem sendo muito comentada nas falas sobre trauma. 

 

A teoria polivagal, criada por Stephen Porges, detalha o funcionamento do nervo vago no contexto do sistema nervoso autônomo. 

 

O nervo vago é um dos nervos que compõe o sistema nervoso autônomo (aquele que regula o funcionamento dos nossos órgãos, inclusive respiração e batimentos cardíacos). Ele tem esse nome por ser um nervo muuuito longo - então ele percorre todo o corpo -, e que interessante nome!

 

A teoria polivagal está servindo de orientação no estabelecimento de práticas que buscam lidar com reações indesejáveis, ou preveni-las, como aquelas associadas a traumas. E o que diz a teoria polivagal?

 

Quanto à anatomia, sabe-se que o ramo simpático é aquele que atua sobre o nosso coração e orquestra o nível de ativação dos demais órgãos para as ações do dia a dia; nas situações extremas nos prepara para lutar ou fugir. A teoria polivagal propõe reconhecer dois ramos no sistema parassimpatico:  um ramo  que está associado à digestão e ao relaxamento (vago dorsal), e um ramo do parassimpático associado ao engajamento social (vago ventral), que inclui várias terminações nervosas na face e, entre outras funções, modula a nossa voz. 

 

Outra forma de ver esses mesmos três ramos é pela sua origem no desenvolvimento das espécies: o ramo da digestão e do relaxamento (o vago dorsal do parassimpático) é o mais antigo e é também chamado reptiliano; ele é o mais lento de todos nas suas respostas. 

 

O ramo denominado simpático, em sua origem, veio em seguida.  

 

O ramo associado ao engajamento social (vago ventral do parassimpático) é o mais recente e ele só é encontrado nos mamíferos. Hierarquicamente, o engajamento social é capaz de dar apoio aos demais ramos. É nisso que se baseia o fato de uma pessoa poder se sentir melhor pela simples presença de alguém que se mostre amigável e traga sensação de segurança para ela. 

 

Quando em situações de grande perigo, o vago dorsal também é responsável por uma estratégia denominada congelamento: se não temos possibilidade de lutar ou fugir, pode-se optar por “se ausentar”, congelando ou se dissociando, como uma forma de evitar a dor ou o sofrimento.

 

Do ponto de vista de orientação, quando nos sentimos seguros, nos engajamos socialmente (vago ventral), exploramos e estamos presentes para a vida.


Quando estamos nos preparando para uma ação, especialmente quando não nos sentimos seguros, nossa orientação é focada, isto é, acionamos o sistema simpático: prontos para lutar ou fugir – com isso, perdemos a capacidade da visão do todo.

 

E quando predomina o vago dorsal e relaxamos? Ahhh, nesse caso, a orientação é para dentro. Quando a percepção de perigo é tão grande que o sistema decide “fechar-se” e congelamos, ficamos sem orientação.

 

Essa divisão em três, esse reconhecimento da hierarquia e dos indicadores da predominância dos efeitos de um ramo em relação ao outro, permite a nós e ao terapeuta experiente atuar apoiando a autorregulação natural do corpo saudável, que, no caso do estresse ou do trauma, não ocorre. Ou seja, o estresse não permite que a atividade flua da atuação focada para um relaxamento ou para um engajamento social, e vice-versa.


A prática do stop ensinada por Sofia Mountian, no Instituto Solaris, sempre começa com a pergunta: onde estou? Para responder a isso, a pessoa vai observar e se orientar, e podemos verificar se há um ramo do sistema nervoso autônomo atuando de forma preponderante:

• se estamos focados para a ação (ramo simpático);

• se interiorizados observando as sensações internas ou relaxados (vago dorsal); 

• se abertos para o engajamento social (vago ventral).

Podemos ampliar essa observação e verificar nossa capacidade de fluir ou se estamos estressados e presos a uma orientação.

 

Em resumo, a novidade oferecida por Stephen Porges amplia a nomenclatura clássica da atuação binária do sistema nervoso autônomo, ou seja, como simpático ou parassimpático, e passa a reconhecer a divisão em três ramos: simpático, vago dorsal e vago ventral. O entendimento proposto pela teoria polivagal vem facilitando as atividades de terapeutas e educadores. Nós também podemos tirar proveito dessa concepção do funcionamento do nosso sistema nervoso autônomo.


Considerando que o ramo do vago ventral, associado ao engajamento social, tem várias terminações no rosto e no pescoço e que esse é o ramo hierarquicamente superior, aqui vão algumas dicas para ativar o vago ventral e facilitar nossa orientação para a vda:

Fazer gargarejos; 

Massagear o rosto;

Realizar movimentos circulares pequenos e lentos, sem forçar, com os olhos e a cabeça.

 

Experimente!

 

 

Fonte:

PORGES, Stephen. The Pocket guide to the Polyvagal Theory: The transformative Power of Feeling Safe. Norton Series, 2016. 

Elvira Lídia Straus

Ingressou no Instituto Solaris em 1996. De 2015 a 2021 ministrou o curso “Caminho Evolutivo do Século XXI”, criado por Sofia Mountian. Terapeuta formada como practitioner em Barbara Brennan Healing Science pela Barbara Brennan School of Healing, uma escola que ensina cura energética pela imposição das mãos. Formada em massagem terapêutica. Especialização em Somatic Experiencing®, Abordagem de Resolução Traumática; em cura cabalísitica - Integrated Kabbalistic HealingNondual Healing, curso ministrado por Jason Shulman. Atua em atendimentos energéticos de preparação para cirurgias e resolução de situações de conflito, na realização de cursos e atividades de meditação, como voluntária na Comunidade Shalom e professora do Instituto Solaris. Trabalhou por mais de 30 anos na CETESB como engenheira na área de controle de poluição.